VIOLÊNCIA E TROTE: CARTA DA ABEM À COMUNIDADE ACADÊMICA DOS CURSOS MÉDICOS : DIRIGENTES, DOCENTES, PRECEPTORES E ESTUDANTES

" Ao nos aproximarmos do início de mais um ano letivo e, tendo em vista a dimensão que a violência tem se apresentado em nossa sociedade, precisamos refletir, de forma franca e corajosa, sobre como ela está infiltrada entre nós. (...) Humilhação e violência não podem ser comemorativos de momentos de vitória e de celebrações".
 
Convidamos a todos a ler a carta da ABEM sobre Violência e Trote."

 

Segue em anexo a carta aberta ABEM (Saiba mais aqui). 

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Divulgado Relatório Parcial da CPI que investiga violações de direitos humanos em universidades paulistas - também chamada de "CPI dos trotes"

  

"Deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo concluíram no dia 10 de março do corrente ano, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga violações de direitos humanos em universidades paulistas. Depois de 35 sessões e mais de 100 depoimentos, os deputados integrantes da comissão ouviram opiniões de professores e especialistas e o depoimento de vítimas que relataram casos de abusos em sete instituições: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e de Campinas (PUC-Campinas), e da Faculdades Adamantinenses Integradas (FAI).
Os integrantes da CPI aprovaram um relatório parcial dos trabalhos da comissão, no qual fizeram uma série de recomendações, como a revogação das leis que declaram de utilidade pública todos os centros acadêmicos e atléticas de qualquer universidade ou faculdade paulista (pública ou privada), desde que as entidades descumpram os requisitos da Lei de Utilidade Pública.
Responsabilização: O documento pede ainda a responsabilização civil, penal e administrativa para os diretores de associações atléticas e centros acadêmicos "que, de qualquer forma, seja por ação, ou seja por omissão, promoveram atos vinculados à violação de direitos humanos". A responsabilização das pessoas jurídicas dessas entidades, incluindo o Show Medicina, e de pessoas físicas e jurídicas da Liga das Atléticas, que organizam competições esportivas, também foram incluídas como passíveis de responsabilização, segundo o relatório aprovado pelos deputados estaduais.
Inquérito policial: Além disso, os deputados pedem a abertura de inquérito policial dos crimes de estupro relatados nos depoimentos de diversas estudantes feitos à CPI nos últimos meses, e de inquérito civil para apurar possíveis práticas de improbidade administrativa contra dirigentes de universidades e faculdades públicas suspeitos de omissão na apuração e punição dos casos de violação de direitos humanos apurados pela CPI.
Expulsão de alunos: Ao Ministério da Educação é sugerida a criação de mecanismos de rápida expulsão de alunos que participarem de trotes violentos."

Notícia publicada em, veja notícia completa aqui

 

Clique aqui para baixar o Relatório parcial da CPI.
 


Prof. Dr. Paulo César de Jesus
Diretor
Faculdade de Medicina
Universidade de Brasília

Sobre currículos, modo de fazer e as necessidades da população brasileira: uma reflexão sobre o ensino das doenças infecciosas e parasitárias na Universidade de Brasília.

   

"Matéria recente do Boletim da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical recolheu opiniões de respeitados professores sobre o possível impacto da reforma curricular do curso de medicina da Universidade de Brasília sobre o ensino das doenças infecciosas e parasitárias. Manifestaram os entrevistados o seu receio de perda de relevância das doenças infecciosas dentro da nova proposta e a perda da obrigatoriedade desse conteúdo. Trata-se, no entanto, de uma interpretação precipitada que felizmente não encontra fundamento nos fatos concretos que descrevemos a seguir. (...)
     A reforma curricular da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília é fruto de longos anos de discussão onde houve ampla e irrestrita participação de docentes e estudantes. O novo currículo, suficientemente amadurecido, foi aprovado por unanimidade e reflete o trabalho de muitas pessoas, todas elas preocupadas pelo aprimoramento do ensino em medicina e a urgente necessidade de mudanças para atender tanto as novas diretrizes curriculares emanadas do Ministério da Educação, quanto os anseios da população brasileira em relação ao cuidado em saúde.
   Nesse contexto, o campo das doenças infecciosas e parasitárias foi inserido em três eixos cruciais da formação. No eixo da saúde coletiva, que envolve a medicina de família e comunidade, serão abordados os agravos infecciosos mais relevantes que acometem populações negligenciadas. Essa aproximação permitirá que o estudante compreenda os múltiplos fatores de natureza social, econômica e biológica que perpetuam essas doenças, dentro de uma visão abrangente, tanto na esfera individual quanto coletiva, que sustente a prática da prevenção e do tratamento na atenção primária. No eixo de urgência e emergência, as doenças infecciosas e parasitárias serão abordadas de forma sindrômica para que o estudante tenha oportunidade de adquirir conhecimentos e habilidades para a detecção eficiente e oportuna dos agravos mais relevantes nesse cenário. No eixo do cuidado à saúde do adulto, as doenças infecciosas serão abordadas na sua complexidade própria do cenário hospitalar. Propõe-se ainda a integração dos tópicos abordados nos eixos da saúde da mulher, da criança e do adolescente para enfrentar os desafios particulares nessas populações.(...)
    O acompanhamento desta experiência pelas sociedades acadêmicas, sociedades de especialistas e a sociedade civil organizada e não organizada será muito útil para o enriquecimento constante da nossa proposta. Essa participação, certamente é bem-vinda como parte de uma interlocução qualificada e propositiva com o ambiente externo à universidade. No entanto, ela só renderá frutos se partir do reconhecimento tácito por todas as partes da absoluta necessidade do respeito pleno ao exercício autônomo das prerrogativas de cada um dos atores do processo.
    Reconhecemos que o caminho que trilharemos nos próximos anos será árduo. Mudar é um desafio imposto pela realidade dos problemas de saúde que os velhos currículos das nossas Faculdades de Medicina não ajudaram a resolver. O Núcleo de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília não se furtou frente a esse desafio e renova aqui, publicamente, o seu compromisso com a formação dos futuros médicos que contribuirão para a solução desses problemas tendo como referência a prática humana de cuidadores integrais da saúde da população.

Brasília, 17 de março de 2015.
 
Gustavo Adolfo Sierra Romero
Elza Ferreira Noronha
Núcleo de Medicina Tropical
Faculdade de Medicina
Universidade de Brasília

Carta de Esclarecimento encaminhada ao Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

 

 

 

Ilustre Prof. Dr. Mitermayer Galvão dos Reis
MD Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical,

Ilustre Professor,
   A comunidade acadêmica da Faculdade de Medicina da UnB recebeu com grande perplexidade a notícia publicada no site da SBMT intitulada: "UnB extingue obrigatoriedade de disciplina sobre Doenças Tropicas e gera polêmica", pois considera que algumas afirmações realizadas por respeitados professores da área de Medicina Tropical não condizem com a realidade do que vem ocorrendo, de forma ampla, irrestrita e democrática, com os vários segmentos que compõem a comunidade da Faculdade de Medicina, qual seja a discussão sobre a renovação do Projeto Pedagógico do Curso de Medicina da UnB e da nova matriz curricular, que foram recentemente aprovadas, por unanimidade, no Conselho Pleno da Faculdade de Medicina - composto por todos os docentes efetivos da Faculdade de Medicina, representantes dos discentes e do seu corpo técnico-administrativo, e referendadas por instâncias superiores da Universidade de Brasília (Câmara de Ensino de Graduação), portanto essa nova proposta curricular não reflete a opinião ou a expertise de um pequeno grupo de especialistas em ensino médico, mas, além disso, espelha a participação ativa e efetiva de toda a comunidade acadêmica da Faculdade de Medicina da UnB - e que está expressa no documento tornado público em 13 de março do corrente ano no portal da Faculdade de Medicina da UnB www.fm.unb.br e que, com grande satisfação, disponível aqui.
   Na nova matriz curricular proposta não há extinção de conteúdos obrigatórios (essenciais à formação qualificada de médicos), mas sim há renovação e aprimoramento do ensino em várias áreas médicas.
   No que diz respeito às doenças infecciosas e parasitárias, o conteúdo ministrado continuará de caráter obrigatório (por ser absolutamente essencial para composição de um perfil de egresso que atuará no Brasil e previsto no Projeto Pedagógico do Curso de Medicina da UnB), seu desenvolvimento far-se-á de forma ampliada e integrada para as esferas da Medicina da Família e Comunidade e de Urgência e Emergência, bem como junto à Atenção à Saúde.

   Os conteúdos relativos à doenças infecciosas e parasitárias continuarão sendo obrigatórios, porém não estarão apenas em uma "caixinha específica", mas e sim, integrados com outras disciplinas obrigatórias. A equipe responsável pela implementação dessa tarefa será composta por docentes "herdeiros" da nobre tradição do Núcleo de Medicina Tropical da UnB, que sempre prezou, e continuará empenhada, pelo ensino dessas doenças no seu contexto social, humano e ético, extrapolando a usual e restrita abordagem biológica.
   O caminho democraticamente escolhido para servir de percurso curricular, pela comunidade acadêmica da Faculdade de Medicina, necessitará de acompanhamento pelas sociedades acadêmicas, sociedades de especialistas e pela sociedade civil organizada e não organizada, cujas opiniões e percepções serão de grande valia para o enriquecimento constante dessa nossa proposta. Essa participação, certamente será sempre bem-vinda como parte de uma interlocução qualificada e propositiva com o ambiente externo à universidade. No entanto, ela só renderá frutos se partir do reconhecimento tácito por todas as partes da absoluta necessidade do respeito pleno ao exercício autônomo das prerrogativas de cada um dos atores do processo.
   Reconhecemos que muitos serão os desafios no futuro que rapidamente se avizinha, trilharemos um árduo caminho nessa nova trajetória curricular proposta, que de certa forma avança na contramão daquilo que é vertical e autocraticamente determinado e que privilegia plenas condições de diálogo na nossa Escola Médica, portanto necessitaremos da efetiva ação de vários atores (internos e externos) e de interlocutores para que possamos consolidar a manutenção de nossa tarefa inerente e precípua - continuar formando médicos qualificados e preparados para o atendimento das necessidades de saúde da sociedade brasileira.

   Endosso por completo a nota de esclarecimento - disponível aqui - emitida pelos professores Gustavo Adolfo Sierra Romero (coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da UnB) e Elza Ferreira Noronha - ambos docentes responsáveis pelos conteúdos de doenças infecciosas e parasitárias no curso de Medicina da UnB. E outrossim, solicito que esse esclarecimento que presto e a Nota em epígrafe seja divulgados no portal da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical com o mesmo destaque (portanto na página inicial) que foi dado à notícia publicada nesse mesmo portal e citada no início desse e-mail, para que a comunidade seja melhor esclarecida sobre os aludidos comentários expressos naquela notícia.

   Certos da melhor compreensão do trabalho acadêmico e democrático realizado no âmbito da Faculdade de Medicina, mormente no que concerne à Medicina Tropical Brasileira, aguardamos o pronto deferimento da presente solicitação e nos colocamos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos que seja considerados necessários.

 

 

Saudações acadêmicas.

Brasília, 18 de março de 2015.
 
Prof. Dr. Paulo César de Jesus
Diretor
Faculdade de Medicina
Universidade de Brasília

 

 

 

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